Regina de Toledo

O Sufismo utiliza histórias milenares para ilustrar estados emocionais, mentais, com a finalidade de transformar os pensamentos condicionados, levar a estados de consciência mais elevados.

Como metáforas do comportamento humano, estas histórias nos conduzem, através de seus personagens, elementos e lugares, a uma experiência de aprendizagem rica em criatividade, ampliando recursos e capacidades potenciais.” (Histórias da Tradição Sufi – Edições Dervish – Instituto Tárika, 1993).

O Fruto da Árvore, História Contada no Sufismo

Uma antiga história, contada entre os Sufis, fala de um homem sábio que, certa vez, contou uma história sobre uma extraordinária árvore que podia ser encontrada na Índia. Aqueles que comessem seu fruto, segundo o sábio, não envelheceriam nem morreriam.

Essa lenda foi repetida, por uma pessoa de confiança, a um dos antigos reis da Ásia Central, e este monarca imediatamente concebeu um ardente desejo pelo fruto-a fonte do Elixir da Vida. Então o rei enviou um representante possuidor das habilidades adequadas para encontrar e trazer de volta o fruto daquela árvore. Por muitos anos, o emissário viajou por toda a Índia, visitando uma cidade após a outra, atravessando campos e cidades, perguntando diligentemente sobre o objeto da sua busca a quem quer que pudesse saber algo sobre sua natureza e onde poderia ser encontrado.

Como você pode imaginar, alguns disseram ao homem que se tratava, obviamente, da busca de um insano;outros o questionaram em detalhe, para descobrir até que ponto alguém com uma inteligência tão evidente poderia embarcar em aventura tão absurda; e a sua gentileza para com ele, demonstrando-lhe consideração como se fosse um tolo iludido, feriu-o ainda mais do que os golpes físicos que os ignorantes também lhe desferiam.

Muitos, é claro, contaram-lhe histórias falsas, enviando-o de um lugar a outro, alegando que também eles tinham ouvido falar da Árvore milagrosa.

E assim passaram-se anos, até que o representante do rei perdeu toda a esperança de êxito e decidiu voltar à corte real e confessar seu triste fracasso.

Afortunadamente, havia na Índia um homem de verdadeira sabedoria – de vez em quando aparecem alguns por lá, e o representante do rei, tendo ouvido falar dele no final da  sua busca, pensou: “Estou tão desesperado que vou vê-lo e pedir-lhe que ao menos abençoe minha viagem de volta para casa”.

Ele procurou o sábio e pediu sua benção, e lhe contou como havia chegado a uma condição tão desgraçada, a um fracasso sem esperança.

O Sábio Riu e Explicou:

“Seu tolo, mais do que uma benção, você precisa de orientação. A Sabedoria é o fruto da Árvore do Conhecimento. Como você considerou imagens e formas, nomes secundários para as coisas como seu objetivo, não foi capaz de encontrar o que está além. Tem milhares de nomes: pode ser chamado de Água da Vida, So, Oceano e até mesmo Nuvem… Mas a insígnia não é a coisa em si”.

Quem quer que se apegue, continuou o Mestre, a nomes e conceitos sem ser capaz de ver que essas derivações são meras etapas, às vezes barreiras à compreensão, continuará no estágio das coisas secundárias. Essas pessoas criam – e permanecem em – uma subcultura de estímulos emocionais, fantasias e pseudo-religião.

Um Escorpião Perfumado”, (IDRIES SHAH, 1978), Pgs. 137-8, Octagon Press.

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